sábado, 27 de dezembro de 2014

Sobre o dia ...

Chico Buarque ↲
"Se soubesse como gosto das suas cheganças, você chegaria correndo todo dia."  

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Sobre o hoje

Hoje, eu aprendi uma coisa.

Percebi que há algo de sagrado, na fala do outro.
E que preciso consagrar-me, antes de responder.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Futuros amantes

Feliz natal

"As pessoas mantêm-se o mais ocultas e fingem-se o mais neutras e mais vizinhas que podem. Quanto a mim, ofereço-me com as ideias mais vivas e com a forma mais minha."

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Não havia estrada. Somente uma Luz distante, adiante, destoante de minhas forças. Com pés descalços, …


Sobre paixões e corações ...

 E a Menina apaixonou-se pelo precário. É comum encontrá-la por aí, se escondendo em corações inacabados ..

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Chico Buarque ... Um caso de amor

    



Me alimentaram
Me acariciaram
Me aliciaram
Me acostumaram

O meu mundo era o apartamento
Detefon, almofada e trato
Todo dia filé-mignon
Ou mesmo um bom filé...de gato

Me diziam, todo momento
Fique em casa, não tome vento
Mas é duro ficar na sua
Quando à luz da lua
Tantos gatos pela rua
Toda a noite vão cantando assim

Nós, gatos, já nascemos pobres
Porém, já nascemos livres
Senhor, senhora ou senhorio
Felino, não reconhecerás

Nós, gatos, já nascemos pobres
Porém, já nascemos livres
Senhor, senhora ou senhorio
Felino, não reconhecerás

De manhã eu voltei pra casa
Fui barrada na portaria
Sem filé e sem almofada
Por causa da cantoria

Mas agora o meu dia-a-dia
É no meio da gataria
Pela rua virando lata
Eu sou mais eu, mais gata
Numa louca serenata
Que de noite sai cantando assim

Nós, gatos, já nascemos pobres
Porém, já nascemos livres
Senhor, senhora ou senhorio
Felino, não reconhecerás

Nós, gatos, já nascemos pobres
Porém, já nascemos livres
Senhor, senhora ou senhorio
Felino, não reconhecerás

terça-feira, 9 de dezembro de 2014





 Eu gosto de gente que sabe ser sol. Mesmo quando a vida está nublada.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

O barbeiro de Sevilha


"[...] só os mortos sabem morrer." [Mia Couto]

Dia especial ...



Como eu adoro essa gente linda que sorri com olhos espalhando gentileza...

quarta-feira, 17 de julho de 2013


Quero só um pouco. Um pouco do impossível.

Sem anestesia


Hoje eu como todas as tuas vontades, conto cada pecado cometido até chegar em um denominador comum. Hoje meu sussuro toca sem medo cada curva da tua saudade. Hoje sobra coragem para esperar o amor.
Sem dor, com calor, talvez comigo. Ou como amigo. Hoje nossa certeza é composta por dois corpos. Meus dedos falam mais do que minha lingua em teus lábios. Todos.
Teu cheiro sacia nossa cama. Nosso carma, nosso kama. Sutura teu passado, que hoje eu inverto sem dó nem piedade todas as tuas roupas, tuas certezas. Teu tesão.
Hoje eu emendo teus sentidos. Hoje eu remendo cada ponto de tua imaginação com lençois, fronhas, laços e mordidas.
Sem anestesia, vou romper teus medos, comer tuas incertezas, deixar as algemas. E só pedir: Gema….

segunda-feira, 15 de julho de 2013

My Funny Valentine



My funny valentine
Sweet comic valentine
You make me smile with my heart
You're looks are laughable,
Unphotographable
Yet you're my favorite work of art
Is your figureless than greek
Is your mouth a little weak
When you open it to speak
Are you smart
But don't change a hair for me
Not if you care for me
Stay little valentine stay
Each day is valentine's day

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

ausencia



Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado.
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado.
Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face.
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada.
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite.
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa.
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço.
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos.
Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir.
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas.
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.

sem saco para título

O que seria de nós, não é, se fôssemos de facto felizes? Já imaginou como isso nos deixaria perplexos, desarmados, mirando ansiosamente em volta em busca de uma desgraça reconfortadora, como as crianças procuram os sorrisos da família numa festa de colégio? Viu por acaso como nos assustamos se alguém, sem segundos pensamentos, se nos entrega, como não suportamos um afecto sincero, incondicional, sem exigência de troca?" Antonio Lobo Antunes


Coração versus Razão. Fazemos essa dicotomia o tempo todo, atribuindo ao coração tudo que é mais confuso e tudo o que fazemos – e sentimos – mas achamos errado. Criamos uma guerra entre os dois e dizemos, na maior parte das vezes, que a Razão deveria vencer. Acirramos uma disputa imaginária na qual quem perde somos nós. Porque não somos só Coração nem só Razão, somos ambos e muito mais. E quanto maior é a oposição, mais difícil é amar e viver sem drama. O amor não é confuso, nós é que criamos a confusão. Há alguns meses li uma frase do Lobo Antunes que me marcou: “O que seria de nós, não é, se fôssemos de facto felizes?” Acho que ele pegou um ponto crucial quando falou isso. Nós gostamos da confusão. Gostamos até de não sermos correspondidos no amor, ficamos entediados se tudo dá certo demais. Já pensei que isso tem a ver com o masoquismo intrínseco de cada um de nós, com a tendência do humano de destruição, e mil outras hipóteses. Não consegui chegar a nenhuma conclusão definitiva, mas o que percebi é que de fato não conseguimos ficar muito tempo na tranqüilidade. Sei que várias pessoas vão discordar, achar que estou exagerando, que não é bem assim, mas é o que eu acho e o que eu vejo em mim e à minha volta. Coração/Razão é só um dos pares de opostos que adoramos cultivar. Poderia falar também de Mente/Corpo, por exemplo, mas no fundo é a mesma coisa: nós e nossa impossibilidade de aceitar as coisas como elas são. Há momentos em que acho isso péssimo, penso que é ruim e que deveria levar a vida de uma forma mais simples. Em outros questiono se essa almejada simplicidade não é apenas um ideal, e outra oposição que crio para não ficar satisfeita com o que já é. Ao escrever satisfeita, outra dimensão me toma, a de que tanta confusão nasce justamente dessa insatisfação inerente ao ser humano, e que não há como remediar algo que é próprio da nossa constituição. Não há satisfação plena, ao menos não enquanto estamos vivos, e é só isso que interessa. Então talvez, mais do que tentar eliminar as oposições e confusões, bastasse apenas ter coragem suficiente para viver com tudo isso. Outro dia escrevi que o amor é para heróis, querendo dizer que é muito mais fácil tentar se proteger e se esconder por medo de sofrer, e que para amar – não apenas se entregar, se apaixonar, mas viver o amor todo dia – é preciso muita coragem. Amar talvez seja isso, então, ter coragem para enfrentar a confusão. Ou talvez isso seja viver.