quarta-feira, 24 de agosto de 2016

“Então compreendi perfeitamente o que gerava a dor. Não era o corte com a ponta da faca, a topada na quina da cama, o amigo que não liga mais, o café que sujou o fogão, as palavras duras, as notícias na tv, obviamente isso soma-se ao fardo, mas não é ele em si. A dor era gerada pela sede insaciável do nada. Pois quando não se tinha o que queria sofria e quando conseguia almejava outra coisa para sofrer. E é por essa sede que os humanos consomem seus dias, pelos futuros que nunca virão ou que serão fadados quando chegarem. E a maior idiotice era perceber: eu também era um desses tais que nunca estava de barriga cheia".

- Fernando Pessoa


domingo, 21 de agosto de 2016

Luís de Camões: Alma minha gentil, que te partiste 


Alma minha gentil, que te partiste
Tão cedo desta vida descontente,
Repousa lá no Céu eternamente
E viva eu cá na terra sempre triste.

Se lá no assento etéreo, onde subiste,
Memória desta vida se consente,
Não te esqueças daquele amor ardente
Que já nos olhos meus tão puro viste.

E se vires que pode merecer-te
Alguma cousa a dor que me ficou 
Da mágoa, sem remédio, de perder-te,

Roga a Deus, que teus anos encurtou,
Que tão cedo de cá me leve a ver-te,
Quão cedo de meus olhos te levou.

sábado, 20 de agosto de 2016

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Para o meu futuro marido ...


A gente vai conhecendo as pessoas e fica pensando: ai eu olharia para você  uma vida toda se deixassem e te ouviria durante séculos se fosse possível... Horas e horas ... 

daí voce fica rindo porque toda intensidade a gente mensura em tempo
vidas séculos horas... 

e eu acho tão bonito isso de comparar amor a algo que você não controla
aumenta mais minha certeza de que amar é livre
de que amar é uma daquelas grandezas que passam por nós e a gente ri

porque... o que mais podemos fazer?

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

IAo menos eu ensaio ... 




Eu vou embora de você
É oficial dessa vez
Eu já avisei todo meu organismo que te ingere: se preparem para o grande revertério: o alimento será cru da realidade
Não mais engrandecerei sentimentos mesquinhos
Não mais adocicarei suas palavras empobrecidas
Não mais transformarei teu prato branco em meu único banquete do dia
Eu não mais enfeitarei as migalhas
Eu não limparei tuas sujeiras com a esperança do dia seguinte. E as músicas de recomeço e os textos motivacionais
Eu vou embora do seu campo de visão mesmo que ele seja nítido apenas em você
Só em você e teus colarinhos lavados, a caixa de entrada excluída e as desculpas reutilizadas
Eu não tenho medo que você tenha estragado os melhores lugares com a sua lembrança
Eles continuaram a existir mesmo depois de você
Eu é que estou indo
embora.

Hoje você é quem manda, falou, tá falado, não tem discussão, não
A minha gente hoje anda falando de lado e olhando pro chão, viu,
Você que inventou esse estado, e inventou de inventar toda escuridão
Você que inventou o pecado, esqueceu-se de inventar o perdão

Apesar de você amanhã há de ser outro dia
Eu pergunto a você onde vai se esconder da enorme euforia
Como vai proibir quando o galo insistir em cantar
Água nova brotando e a gente se amando sem parar

Quando chegar o momento, esse meu sofrimento vou cobrar com juros, juro,
Todo esse amor reprimido, esse grito contido, esse samba no escuro
Você que inventou a tristeza, ora tenha a fineza de desinventar
Você vai pagar e é dobrado cada lágrima rolada neste meu penar

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Há algo maldoso,
em quem se sente forte.

A fama, o título, o dinheiro,
a instituição que o respalda.

Que perversa, 
é a ilusão de força.
Eles nem se amavam, mas tinham neuroses tão complementares, que foram necessários, para sempre...



segunda-feira, 15 de agosto de 2016


Eu queria escrever " preciso de alguém que me tire daqui " 
Nesse momento , nesse dia ... 
Mas sou tomada por devaneios de precisar na verdade de alguém que me tire o fôlego ... Alguém que me faça sentir o que ninguém jamais conseguiu ...
Perdão Deus ! 

Não sou boa com números. Com frases-feitas. E com morais de história. Gosto do que me tira o fôlego. Venero o improvável. Almejo o quase impossível. Meu coração é livre, mesmo amando tanto. Tenho um ritmo que me complica. Uma vontade que não passa. Uma palavra que nunca dorme. Quer um bom desafio? Experimente gostar de mim. Não sou fácil. Não coleciono inimigos. Quase nunca estou pra ninguém. Mudo de humor conforme a lua. Me irrito fácil. Me desinteresso à toa. Tenho o desassossego dentro da bolsa. E um par de asas que nunca deixo. Às vezes, quando é tarde da noite, eu viajo. E - sem saber - busco respostas que não encontro aqui. Ontem, eu perdi um sonho. E acordei chorando, logo eu que adoro sorrir... Mas não tem nada, não. Bonito mesmo é essa coisa da vida: um dia, quando menos se espera, a gente se supera. E chega mais perto de ser quem - na verdade - a gente é.

quarta-feira, 20 de julho de 2016

quarta-feira, 13 de abril de 2016

não me leve
lave-me

limpe-me 
do limo
do limbo

dos limites 

livre-me


sábado, 9 de abril de 2016

Sobre o amor ...


Esta escultura chama-se Amor. Seu criador é o artista ucraniano Alexander Milov. Percebe-se o conflito entre duas pessoas, e também a expressão interior da natureza humana. Dois adultos se dão as costas, mas as crianças interiores procuram se aproximar.
Segue a explicação do autor:
Você pode tirar suas próprias conclusões sobre o significado do trabalho, mas isso é o que Milov escreveu sobre sua escultura no site do festival: “Isso demonstra um conflito entre um homem e uma mulher e a expressão interna e externa da natureza humana. Seu interior é moldado por crianças transparentes, que detêm as mãos pelas grades. Quando escurece, as crianças começam a brilhar. Esse brilho simboliza pureza e sinceridade que une as pessoas e dá a oportunidade de consertar as coisas quando chegar em tempos sombrios “.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Não tenho visto nada além de ti.
Todos os dias
Tem sido o teu rosto
E toda noite tua mão
E cada estrada
Tua voz me chamando.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016